33.7 C
Rio de Janeiro
quarta-feira, fevereiro 18, 2026
InícioNotíciasReligião e política no Brasil: a infiltração evangélica na política

Religião e política no Brasil: a infiltração evangélica na política

Date:

Related stories

Homofobia no Mercadão de São Paulo: Caso de casal gay gera repercussão

Homofobia no Mercadão de São Paulo gera repercussão após casal gay denunciar injúria e segurança ser demitido.

Operação Power OFF: PF anula ataques DDoS ao governo brasileiro

Ataques DDoS governo são combatidos na Operação Power OFF, com prisões e apoio do FBI para proteger sites essenciais.

Crises alimentares globais: Riscos e causas que alarmam o mundo

Crises alimentares globais estão aumentando devido a conflitos, crises econômicas e mudanças climáticas, alarmando o mundo inteiro.

Demissões na Polícia Federal: A saída de Torres e Ramagem explicada

Demissões na Polícia Federal geram repercussão; saiba tudo sobre a saída de Torres e Ramagem no Diário Oficial da União.

Imposto sobre bets: Braga defende financiamento para segurança pública

Imposto sobre bets é crucial para o financiamento da segurança pública, segundo Braga, que defende a criação de uma CIDE.

Religião e política no Brasil: a infiltração evangélica na política

Nos últimos anos, a relação entre religião e política no Brasil tem se tornado um tema cada vez mais relevante e controverso. A ascensão dos evangélicos na política brasileira é um fenômeno que merece atenção. O crescimento desse grupo, que passou de 5% para 30% da população nos últimos 40 anos, traz à tona questões sobre a separação entre Igreja e Estado e o impacto que isso pode ter na democracia. Neste artigo, vamos explorar como a infiltração evangélica na política está moldando o cenário atual do Brasil.

O Crescimento dos Evangélicos no Brasil

O Brasil é um país de diversidade religiosa, mas a presença evangélica tem se destacado nas últimas décadas. O crescimento dos evangélicos não é apenas numérico, mas também político. Cada vez mais, líderes religiosos estão se tornando figuras influentes nas esferas de poder. Essa mudança começou a ser notada a partir dos anos 80, quando as igrejas evangélicas começaram a se organizar politicamente.

Esse fenômeno não é isolado. Em muitos países, a religião tem desempenhado um papel crucial na política. No Brasil, a combinação de fé e política tem gerado debates acalorados sobre a laicidade do Estado. A pergunta que fica é: até que ponto essa influência é benéfica ou prejudicial para a democracia?

A Intersecção entre Poder e Fé

A intersecção entre poder e fé é um tema central no documentário “Apocalipse nos Trópicos”, da cineasta Petra Costa. O filme investiga como a religião, especialmente a evangélica, tem sido utilizada como uma ferramenta de poder. A diretora destaca que a política não é um assunto alheio à fé, e que os evangélicos têm se mobilizado para influenciar decisões políticas.

Um exemplo claro dessa mobilização é a figura do deputado e pastor Cabo Daciolo, que se destacou por ungir a bancada do Congresso Nacional. Sua abordagem espiritual à política reflete uma nova era em que a fé é utilizada como um meio para alcançar objetivos políticos. Essa prática levanta questões sobre a verdadeira natureza da fé e seu papel na sociedade.

O Papel dos Líderes Religiosos

Os líderes religiosos têm um papel fundamental na política brasileira. Figuras como Silas Malafaia e outros pastores influentes têm se posicionado publicamente em questões políticas, moldando a opinião de seus seguidores. Essa influência é particularmente evidente em momentos eleitorais, quando a mobilização religiosa pode determinar o resultado das eleições.

Além disso, a relação entre líderes religiosos e políticos é complexa. Muitos políticos buscam apoio em comunidades evangélicas, enquanto líderes religiosos tentam influenciar políticas públicas. Essa troca de favores pode levar a um cenário em que a fé é utilizada como moeda de troca, comprometendo a integridade da religião.

A Separação entre Igreja e Estado

A separação entre Igreja e Estado é um princípio fundamental em democracias. No entanto, no Brasil, essa separação tem sido desafiada pela crescente influência evangélica na política. A ideia de que a política deve ser laica está sendo questionada, e isso pode ter consequências graves para a democracia.

Petra Costa, em seu documentário, levanta a questão de como a mistura entre fé e política pode corromper a religião. Quando a fé se torna um instrumento de poder, a essência da religião pode ser perdida. Essa reflexão é crucial para entendermos o impacto da infiltração evangélica na política brasileira.

O Impacto nas Eleições

As eleições de 2018 marcaram um ponto de virada na política brasileira. A ascensão de Jair Bolsonaro, que se apresentou como um candidato alinhado aos valores evangélicos, exemplifica como a religião pode influenciar a política. Sua aproximação com a comunidade evangélica foi estratégica e resultou em um forte apoio nas urnas.

Esse fenômeno não é exclusivo do Brasil. Em muitos países, líderes políticos têm buscado o apoio de grupos religiosos para garantir votos. No entanto, essa estratégia pode levar a uma polarização ainda maior na sociedade, dividindo eleitores entre aqueles que apoiam a mistura de fé e política e aqueles que defendem a laicidade do Estado.

Desafios e Oportunidades

A infiltração evangélica na política brasileira apresenta desafios e oportunidades. Por um lado, a mobilização dos evangélicos pode trazer questões sociais importantes à tona, como a defesa dos direitos humanos e a luta contra a desigualdade. Por outro lado, a mistura de fé e política pode comprometer a democracia e a laicidade do Estado.

É fundamental que a sociedade brasileira discuta abertamente esses temas. O silêncio em torno da relação entre religião e política pode levar a consequências indesejadas. Como Petra Costa observa, é necessário debater a interpretação da fé e seu impacto na política, antes que seja tarde demais.

O Futuro da Política e da Religião no Brasil

O futuro da política e da religião no Brasil é incerto. A crescente influência evangélica pode continuar a moldar o cenário político, mas isso também pode gerar resistência. A sociedade civil precisa estar atenta e engajada na discussão sobre a laicidade do Estado e o papel da religião na política.

Além disso, é importante que os próprios evangélicos reflitam sobre a natureza de sua fé e seu papel na sociedade. A religião deve ser uma força para o bem, e não um instrumento de poder. O desafio é encontrar um equilíbrio entre a fé e a política, respeitando a diversidade religiosa e a laicidade do Estado.

Conclusão

A infiltração evangélica na política brasileira é um fenômeno complexo que merece atenção. A relação entre religião e política pode trazer tanto desafios quanto oportunidades. É fundamental que a sociedade discuta abertamente esses temas, garantindo que a laicidade do Estado seja respeitada e que a fé continue a ser uma força para o bem.

Como cidadãos, devemos estar atentos às mudanças e engajados na discussão sobre o papel da religião na política. A história nos ensina que a mistura entre fé e política pode ter consequências profundas, e é nosso dever garantir que a democracia e a laicidade sejam preservadas.

Para mais informações sobre a intersecção entre poder e fé no Brasil, recomendo a leitura do artigo completo disponível em UOL.

Inscreva-se

- Never miss a story with notifications

- Gain full access to our premium content

- Browse free from up to 5 devices at once

Últimas Notícias