27 C
Rio de Janeiro
quinta-feira, fevereiro 12, 2026
InícioNotíciasMetas de carbono big techs estão desconectadas da realidade, diz estudo

Metas de carbono big techs estão desconectadas da realidade, diz estudo

Date:

Related stories

Homofobia no Mercadão de São Paulo: Caso de casal gay gera repercussão

Homofobia no Mercadão de São Paulo gera repercussão após casal gay denunciar injúria e segurança ser demitido.

Operação Power OFF: PF anula ataques DDoS ao governo brasileiro

Ataques DDoS governo são combatidos na Operação Power OFF, com prisões e apoio do FBI para proteger sites essenciais.

Crises alimentares globais: Riscos e causas que alarmam o mundo

Crises alimentares globais estão aumentando devido a conflitos, crises econômicas e mudanças climáticas, alarmando o mundo inteiro.

Demissões na Polícia Federal: A saída de Torres e Ramagem explicada

Demissões na Polícia Federal geram repercussão; saiba tudo sobre a saída de Torres e Ramagem no Diário Oficial da União.

Imposto sobre bets: Braga defende financiamento para segurança pública

Imposto sobre bets é crucial para o financiamento da segurança pública, segundo Braga, que defende a criação de uma CIDE.

Metas de carbono big techs estão desconectadas da realidade, diz estudo

Nos últimos anos, as grandes empresas de tecnologia, conhecidas como big techs, têm se comprometido a reduzir suas emissões de carbono e alcançar a neutralidade climática. No entanto, um estudo recente levanta sérias questões sobre a viabilidade dessas promessas. O relatório, elaborado pelo NewClimate Institute e pela Carbon Market Watch, sugere que as metas de carbono dessas empresas estão desconectadas da realidade, especialmente diante do aumento das emissões de CO₂ impulsionado pelo crescimento da inteligência artificial (IA) e pela demanda crescente por data centers.

O que são as metas de carbono?

As metas de carbono referem-se aos compromissos que empresas e países assumem para reduzir suas emissões de gases de efeito estufa, como o dióxido de carbono (CO₂). O objetivo é alcançar a neutralidade de carbono, ou seja, equilibrar as emissões com ações que removem ou reduzem a mesma quantidade de gases da atmosfera. Essa iniciativa é crucial para mitigar os efeitos das mudanças climáticas e promover um futuro sustentável.

As big techs, como Apple, Google, Microsoft, Meta e Amazon, têm se comprometido a atingir a neutralidade de carbono em prazos que variam de 2030 a 2040. No entanto, o estudo aponta que essas promessas podem não ser suficientes para lidar com o aumento das emissões geradas por suas operações, especialmente com o crescimento da IA.

O impacto da inteligência artificial nas emissões de carbono

A inteligência artificial tem se tornado uma parte fundamental das operações das big techs. No entanto, o uso de IA, especialmente em modelos de linguagem como o ChatGPT, consome uma quantidade significativa de energia. De acordo com a Greenly, uma plataforma que mede e reduz emissões de CO₂, uma única empresa pode emitir cerca de 638 toneladas de CO₂ em um mês apenas respondendo a e-mails. Isso demonstra o impacto ambiental das operações digitais que muitas vezes não é contabilizado nas metas de carbono.

Para ilustrar, o uso do GPT-4 para responder a 1 milhão de e-mails por mês resulta em emissões de 637.771 kgCO₂e, o que equivale a aproximadamente 360 viagens de ida e volta entre Paris e Nova York em apenas um mês. Esses números são alarmantes e colocam em dúvida a credibilidade das metas de neutralidade de carbono anunciadas pelas big techs.

Desconexão entre promessas e realidade

O estudo do NewClimate Institute e da Carbon Market Watch revela que as promessas de neutralidade de carbono feitas pelas big techs carecem de credibilidade. As metodologias utilizadas para estabelecer essas metas estão desatualizadas e não refletem o aumento recente no consumo energético causado pela IA. A principal fonte de emissão de gases do efeito estufa no setor de tecnologia é a eletricidade utilizada em data centers, cuja demanda disparou com o crescimento da IA.

Das cinco empresas avaliadas, apenas a Apple se comprometeu a usar 100% de energia renovável em toda sua cadeia de produção até 2030. As demais, como Microsoft, Meta e Amazon, ainda não possuem metas claras e foram classificadas como tendo estratégias climáticas de “integridade medíocre”. Isso se deve à discrepância entre os objetivos declarados e o aumento real das emissões.

A situação das big techs em relação às metas de carbono

As big techs têm se comprometido a alcançar a neutralidade de carbono em prazos variados. A Google, a Apple e a Meta se comprometeram a atingir esse objetivo até 2030, enquanto a Amazon espera alcançá-lo em 2040. A Microsoft, por sua vez, pretende ter um saldo de carbono negativo em cinco anos. No entanto, o estudo aponta que esses compromissos podem não ser suficientes para lidar com o aumento das emissões.

Um exemplo claro é o caso do Google, cujas emissões de CO₂ quase dobraram entre 2019 e 2023, mesmo com investimentos em energia renovável. Isso levanta a questão: como essas empresas podem garantir a neutralidade de carbono se suas emissões continuam a crescer?

Investimentos em energia limpa: são suficientes?

Embora as big techs tenham investido em energia limpa, o relatório aponta que esses esforços não são suficientes para compensar a crescente demanda elétrica gerada pela IA. A expansão da inteligência artificial é um fator crítico nessa equação. Chatbots e modelos de linguagem consomem uma quantidade significativa de energia, e muitas empresas não contabilizam a pegada de carbono gerada por fornecedores terceirizados de infraestrutura, que são responsáveis por cerca de metade da capacidade de processamento em nuvem.

Além disso, a cadeia produtiva de dispositivos eletrônicos representa mais de um terço das emissões totais do setor. Isso significa que, mesmo que as big techs invistam em energia renovável, ainda há uma quantidade significativa de emissões que não está sendo contabilizada em suas metas de carbono.

O que pode ser feito?

Para que as big techs realmente alcancem suas metas de neutralidade de carbono, é necessário um compromisso mais sério e transparente. Isso inclui a adoção de metodologias atualizadas que reflitam o aumento do consumo energético e a contabilização das emissões geradas por toda a cadeia produtiva, incluindo fornecedores terceirizados.

Além disso, as empresas devem investir em tecnologias que reduzam o consumo de energia em data centers e na operação de IA. Isso pode incluir a otimização de processos, o uso de hardware mais eficiente e a implementação de práticas sustentáveis em toda a cadeia de produção.

Conclusão

As metas de carbono das big techs são um passo importante em direção à sustentabilidade, mas o estudo revela que essas promessas estão desconectadas da realidade. O aumento das emissões geradas pela inteligência artificial e a falta de contabilização das emissões de fornecedores terceirizados são questões críticas que precisam ser abordadas. Para que as big techs realmente cumpram suas promessas de neutralidade de carbono, é necessário um compromisso mais sério e transparente, com investimentos em tecnologias que reduzam o consumo de energia e a contabilização de todas as emissões geradas em suas operações.

Se você deseja saber mais sobre este assunto, recomendo a leitura do estudo completo disponível em Olhar Digital.

Inscreva-se

- Never miss a story with notifications

- Gain full access to our premium content

- Browse free from up to 5 devices at once

Últimas Notícias