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Florestas e descarbonização: a chave contra as mudanças climáticas
As florestas desempenham um papel crucial na luta contra as mudanças climáticas. Elas são verdadeiros pulmões do planeta, absorvendo dióxido de carbono (CO₂) e liberando oxigênio. Neste artigo, vamos explorar como as florestas são essenciais para a descarbonização e como podemos protegê-las e gerenciá-las de forma sustentável.
O papel das florestas na regulação do clima
As florestas são um dos principais mecanismos naturais de sequestro de CO₂ da atmosfera. Através da fotossíntese, árvores e outras plantas captam CO₂ e o transformam em oxigênio e biomassa. Isso significa que o carbono é armazenado nas árvores, no solo e na vegetação por longos períodos. Segundo o relatório “Global Forest Resources Assessment 2020” da FAO, as florestas do mundo armazenam cerca de 662 bilhões de toneladas de carbono.
Por hectare, isso corresponde a uma média de 163 toneladas de carbono, distribuídas entre a matéria orgânica do solo, a biomassa viva e a manta morta. No entanto, a perda de florestas devido à desflorestação e degradação dos ecossistemas ameaça esse equilíbrio. Entre 1990 e 2020, aproximadamente 178 milhões de hectares de florestas foram perdidos, resultando em uma quebra significativa no estoque global de carbono florestal.
O crescimento das florestas na Europa e em Portugal
Apesar das más notícias, há também aspectos positivos. Na Europa, entre 2005 e 2020, as florestas cresceram quase seis milhões de hectares. Em Portugal, a área florestal aumentou de cerca de 640 mil hectares em 1874 para mais de três milhões de hectares atualmente. Isso representa um crescimento significativo, passando de menos de 18% do território nacional para cerca de 36%.
Esse crescimento não ocorreu por acaso. Muitas das novas áreas florestais resultaram de plantações com diversos objetivos. É importante notar que as florestas naturais estão praticamente extintas em Portugal, representando menos de 1% da área florestal total.
Tipos de florestas e seu impacto na descarbonização
A distinção entre os diferentes tipos de florestas é fundamental para uma abordagem eficaz à descarbonização. A FAO classifica as florestas em dois grupos principais: florestas de regeneração natural e florestas plantadas. As florestas de regeneração natural são compostas por árvores que cresceram espontaneamente, enquanto as florestas plantadas são estabelecidas por ação humana.
As florestas plantadas podem ser divididas em florestas de plantação, voltadas para a produção de madeira, e outras florestas plantadas, que, na maturidade, apresentam uma estrutura semelhante à das florestas naturais. À medida que a Europa se compromete a sequestrar 310 milhões de toneladas de CO₂ equivalente por ano até 2030, é crucial considerar todas as florestas, incluindo as de produção.
O impacto das florestas na economia e na biodiversidade
Em Portugal, as florestas têm contribuído positivamente para a descarbonização, exceto em anos de grandes incêndios. Entre 1990 e 2021, estima-se que as florestas tenham sequestrado em média 5,58 milhões de toneladas de CO₂ equivalente anualmente. Em 2023, esse valor foi de cerca de 1,44 milhão de toneladas. Parte significativa desse sequestro vem de florestas de produção bem geridas.
O sequestro de carbono não depende apenas da “naturalidade” da floresta, mas sim de sua saúde, densidade e dinâmica de crescimento. Florestas jovens e em crescimento ativo, como plantações de eucalipto ou pinheiro-bravo, podem sequestrar tanto ou mais carbono do que florestas maduras ou degradadas.
A importância da gestão florestal sustentável
Uma floresta sem gestão adequada pode se tornar um risco. O subcoberto se transforma em combustível, a biodiversidade diminui e o risco de incêndios aumenta. Por outro lado, uma floresta gerida de forma sustentável é monitorada, diversificada e protegida. A boa gestão florestal reduz o risco de incêndios, melhora a resiliência das espécies às mudanças climáticas e favorece a biodiversidade.
Empresas como a The Navigator Company, que gerencia cerca de 109 mil hectares, aplicam modelos de gestão florestal certificados. Esses modelos conciliam a produção de produtos florestais com planos de prevenção de incêndios e zonas de proteção.
O papel do eucalipto na descarbonização
O eucalipto é uma espécie naturalizada em Portugal que apresenta ciclos curtos de corte e alta eficiência na fixação de carbono. Um hectare de eucaliptal gerido de forma sustentável pode sequestrar até sete vezes mais carbono do que um montado de sobro e três vezes mais do que um pinhal bravo. Além disso, as plantações de eucalipto são geridas para responder aos desafios climáticos, como a resistência à seca e a pragas.
Bioprodutos da floresta: uma oportunidade econômica sustentável
O valor climático das florestas de produção vai além do sequestro de carbono. Os produtos de base lenhosa podem substituir materiais de origem fóssil, contribuindo para a transição para uma bioeconomia circular. A biomassa florestal pode ser utilizada em diversos setores, desde a construção civil até a indústria têxtil e de embalagens.
Portugal está bem posicionado para liderar essa transição, não apenas pelas condições naturais, mas também pela maturidade da fileira florestal e pelo investimento em inovação. A The Navigator Company, por exemplo, investe em bioprodutos avançados a partir da fibra do eucalipto, contribuindo para a descarbonização de setores como aviação e transporte marítimo.
Construindo um modelo florestal multifuncional
Num momento em que precisamos fazer mais com menos, a floresta de produção tem um papel central. Não se trata de escolher entre conservação e desenvolvimento, mas de construir um modelo florestal multifuncional que una rentabilidade, biodiversidade, inovação e clima. O eucalipto, longe de ser um vilão, é uma ferramenta a serviço da sustentabilidade.
Portugal possui os ingredientes certos para essa transformação. É fundamental alinhar políticas, investimentos e a narrativa pública. Valorizar todas as florestas, sejam naturais ou plantadas, é o primeiro passo para garantir que o país esteja no lado certo da história climática.
Conclusão
As florestas são essenciais na luta contra as mudanças climáticas e na descarbonização da economia. Elas não apenas sequestram carbono, mas também oferecem oportunidades econômicas sustentáveis. A gestão adequada e sustentável das florestas é crucial para maximizar seus benefícios. Devemos cuidar das florestas com responsabilidade, pois não há descarbonização sem árvores e sem quem as plante e cuide.
Para mais informações sobre o papel das florestas na descarbonização, você pode acessar a fonte de referência aqui.
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Analista de sistemas por profissão e escritor por paixão, tenho encontrado no mundo das letras um espaço para expressar minhas reflexões e compartilhar conhecimentos. Além da tecnologia, sou um ávido leitor, sempre em busca de novas histórias que ampliem minha visão de mundo e enriqueçam minha experiência pessoal. Meus hobbies incluem viajar e explorar diferentes culturas e paisagens, encontrando na natureza uma fonte inesgotável de inspiração e renovação. Através de minhas escritas, busco conectar ideias, pessoas e lugares, tecendo uma teia de entendimentos que transcende as fronteiras do convencional.

