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Entenda o colapso matemático da China e suas consequências

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Entenda o colapso matemático da China e suas consequências

A China, uma das maiores economias do mundo, enfrenta um cenário alarmante que pode ser descrito como um verdadeiro colapso matemático. Este fenômeno não é apenas uma questão política, mas uma realidade aritmética que se desdobra em quatro impossibilidades interconectadas. Neste artigo, vamos explorar essas questões e suas consequências, além de refletir sobre o que isso significa para o futuro da China e do mundo.

1. A Crise Demográfica

A primeira impossibilidade matemática que a China enfrenta é a crise demográfica. As projeções da ONU indicam que a taxa de fertilidade na China está em torno de 1,0 a 1,1, o que é aproximadamente metade do necessário para manter a população estável. Isso significa que a força de trabalho está encolhendo enquanto o número de aposentados cresce exponencialmente.

Atualmente, a China adiciona cerca de 20 milhões de aposentados por ano, enquanto a força de trabalho diminui em cerca de 10 milhões. Se essa tendência continuar, até 2050, a China terá aproximadamente 450 milhões de pessoas acima de 65 anos, enquanto a população ativa no mercado de trabalho será drasticamente reduzida para cerca de 700 milhões. Essa relação de dependência é insustentável e coloca uma pressão enorme sobre o sistema previdenciário.

2. A Dinâmica da Dívida

A segunda impossibilidade está relacionada à dinâmica da dívida. A dívida do setor não-financeiro na China já chega a 295% do PIB, e quando consideramos as operações do chamado “shadow banking” e os veículos extra-balanço, essa alavancagem se aproxima de 350% do PIB. O crescimento nominal da economia tem se mantido entre 4% e 5% nos últimos anos, enquanto o custo médio da dívida gira em torno de 4% ao ano.

Isso significa que a China precisa de cada vez mais dívida para gerar o mesmo crescimento. Atualmente, são necessários US$ 3 trilhões em nova dívida para produzir apenas US$ 1 trilhão em PIB. Essa dinâmica de retornos decrescentes expõe o país a um círculo vicioso: quanto mais se endivida, menos eficiente esse endividamento se torna.

3. Inovação e Pesquisa e Desenvolvimento

A terceira impossibilidade está relacionada à inovação. Apesar de gastar mais de US$ 500 bilhões anuais em pesquisa e desenvolvimento, a China ainda não consegue produzir semicondutores de ponta ou motores a jato comerciais competitivos. A produção de chips de 7 nanômetros, por exemplo, está duas gerações atrás dos líderes globais.

A inovação verdadeira requer um ambiente de liberdade, onde a informação flua livremente e o fracasso seja tolerado. No entanto, o sistema autoritário da China não permite isso. Como resultado, a defasagem criativa aumenta a cada ano, e a capacidade de inovação do país está comprometida.

4. Dependência de Recursos Externos

A quarta impossibilidade é a dependência crítica de recursos externos. A China importa cerca de 75% do petróleo que consome, 70% da soja, 80% do cobre e 95% do lítio. Esses insumos são essenciais para a energia, alimentação, infraestrutura e tecnologia verde. Para crescer, a China precisa de recursos, mas para obtê-los, precisa de dólares, e para ganhar dólares, precisa exportar. No entanto, esse modelo está se deteriorando devido à diminuição da mão de obra barata e à falta de inovação.

5. O Impacto do Desemprego Juvenil

O desemprego juvenil na China está acima de 20%, e algumas estimativas independentes sugerem que esse número pode ultrapassar 30%. Essa situação não é resultado de uma geração “preguiçosa”, mas sim de uma crise estrutural. A desaceleração econômica, o colapso do setor imobiliário e a falta de empregos qualificados são fatores que contribuem para essa realidade.

O fenômeno conhecido como “tang ping”, que significa “deitar-se”, reflete o desânimo de uma geração que cresceu em um ambiente de prosperidade, mas que agora se vê sem perspectivas. Muitos jovens optam por viver com o mínimo, rejeitando as pressões de carreira e consumo. Essa atitude é um retrato de desalento geracional diante de um futuro incerto.

6. O Método Chinês para Contenção de Crises

O sistema chinês demonstrou sua incapacidade de adaptação durante a pandemia de COVID-19. A estratégia de “Zero-COVID” foi um exemplo claro de negação e repetição de erros. Quando confrontado com a variante Ômicron, o governo optou por trancar cidades inteiras, paralisando a economia. A reversão abrupta dessa estratégia resultou em caos, com hospitais colapsando e milhões de infecções.

Esse padrão de negação, repetição de erros e pânico é preocupante. Se a China não conseguiu se adaptar a um vírus, como poderá lidar com uma crise demográfica e de dívida? O autoritarismo pode parecer vantajoso em momentos de crise, mas cada solução imposta gera novos problemas e ressentimentos.

7. Comparações com o Japão

Alguns defensores do modelo chinês comparam a situação da China com a do Japão, que conseguiu atravessar décadas de declínio demográfico sem um colapso total. No entanto, essa comparação não se sustenta. O Japão tinha instituições democráticas, alianças estratégicas e tecnologia de ponta que ajudaram a suavizar a estagnação. A China, por outro lado, não possui essas válvulas de escape.

Quando o crescimento estagnar, o Partido Comunista da China perderá sua única fonte de legitimidade: o pacto tácito de que entregará crescimento em troca de estabilidade. Sistemas autoritários têm dificuldade em administrar o declínio pacificamente, pois não podem admitir falhas.

8. Fatores Externos e o Futuro da China

Além das questões internas, fatores externos também podem acelerar o colapso da China. A pressão dos Estados Unidos, com sanções e restrições financeiras, se intensificou à medida que as fragilidades estruturais da China se tornaram mais evidentes. A situação em Taiwan, por exemplo, pode se tornar um ponto de desgaste definitivo para o regime chinês.

Na minha avaliação, há uma probabilidade de 60% de uma crise sistêmica entre 2027 e 2035. Essa não é uma previsão exata, mas uma estimativa baseada nas tendências atuais. Também é possível que a China enfrente uma estagnação semelhante à do Japão, mas isso é politicamente improvável. Um conflito externo pode ser uma distração, mas historicamente, isso está associado a colapsos acelerados.

9. Oportunidades e Riscos para o Brasil

Para o Brasil, a situação da China representa tanto riscos quanto oportunidades. No setor de commodities, a China continuará a comprar, mas com menos poder de barganha. Além disso, parte da manufatura que está saindo da China pode se deslocar para o Brasil.

No cenário geopolítico, será necessário escolher o lado vencedor. Para investidores, a recomendação é reduzir a exposição à China e aumentar as posições em países como Estados Unidos, Índia e Vietnã. A aritmética não tem ideologia e, no final, sempre prevalece.

Conclusão

O colapso matemático da China é um fenômeno complexo que envolve uma série de impossibilidades interconectadas. A crise demográfica, a dinâmica da dívida, a falta de inovação e a dependência de recursos externos são desafios que o país enfrenta. O autoritarismo não é a solução, mas sim um amplificador de erros. O futuro da China é incerto, mas as consequências desse colapso podem ser sentidas em todo o mundo.

Para mais informações sobre o colapso matemático da China, você pode acessar a fonte de referência aqui.

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