Como o Pix e big techs influenciam o mercado financeiro global
Nos últimos anos, o Brasil tem se destacado no cenário financeiro global com a introdução do Pix, um sistema de pagamentos instantâneos que revolucionou a forma como os brasileiros realizam transações financeiras. Mas o que acontece quando essa inovação se choca com as grandes empresas de tecnologia, as chamadas big techs? Neste artigo, vamos explorar como o Pix e as big techs interagem e influenciam o mercado financeiro global, além de discutir as implicações políticas e econômicas dessa relação.
O que é o Pix?
O Pix é um sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central do Brasil e lançado em novembro de 2020. Ele permite que os usuários realizem transferências e pagamentos em tempo real, 24 horas por dia, sete dias por semana. Com mais de 170 milhões de usuários, o Pix se tornou o método de pagamento mais popular no Brasil, utilizado por três em cada quatro brasileiros.
Uma das principais características do Pix é a sua gratuidade para pessoas físicas, o que o torna acessível a uma ampla gama de usuários, incluindo aqueles que estão fora do sistema bancário tradicional. Isso representa uma mudança significativa no cenário financeiro do país, onde muitos brasileiros ainda enfrentam barreiras para acessar serviços bancários.
O impacto do Pix no mercado financeiro
O sucesso do Pix não passou despercebido pelas big techs, que tradicionalmente dominam o setor de pagamentos digitais. Empresas como Apple, Google e Meta (antiga Facebook) têm investido pesadamente em soluções de pagamento, como Apple Pay, Google Pay e WhatsApp Pay. No entanto, a eficiência e a popularidade do Pix representam um desafio significativo para essas empresas.
O professor Roberto Kanter, da FGV, destaca que o Pix não é uma ameaça direta às big techs, mas sim uma inovação que atende a uma necessidade específica do mercado brasileiro. Ele explica que o sistema é especialmente benéfico para as classes D e C, que muitas vezes são desbancarizadas e utilizam bancos digitais que não exigem grandes requisitos para abertura de contas.
Por que o Pix contraria os interesses das big techs?
Recentemente, o governo dos Estados Unidos anunciou uma investigação comercial contra o Brasil, com foco na adoção do Pix. Especialistas acreditam que essa medida é uma tentativa de proteger os interesses das big techs americanas, que podem estar se sentindo ameaçadas pela popularidade do sistema de pagamentos brasileiro.
Bruna Martins dos Santos, gerente de políticas da Witness, afirma que a competição tecnológica é um fator crucial nessa disputa. As big techs americanas buscam eliminar qualquer inovação que não esteja sob seu controle, e o Pix é um exemplo claro de como uma tecnologia local pode desafiar o domínio dessas empresas.
A disputa pelo WhatsApp Pay
Um exemplo claro dessa competição ocorreu em 2020, quando a Meta tentou lançar o WhatsApp Pay no Brasil. O serviço foi suspenso pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) devido a preocupações sobre a concorrência no mercado de pagamentos. Na época, o Cade argumentou que a entrada do WhatsApp Pay poderia prejudicar a concorrência, uma vez que a empresa já tinha uma base de usuários significativa no Brasil.
Após a suspensão do WhatsApp Pay, o Banco Central lançou o Pix, que rapidamente se tornou o método de pagamento preferido dos brasileiros. Isso demonstra como a inovação local pode superar as tentativas das big techs de monopolizar o mercado de pagamentos.
O papel das big techs na política americana
A relação entre as big techs e o governo dos Estados Unidos é complexa. Clayton Allen, diretor da Eurasia Group, observa que a influência das big techs sobre a administração de Trump é mais evidente em indivíduos específicos do que em uma estratégia geral. A pressão para investigar o Pix pode ser vista como uma tentativa de proteger os interesses de empresas como Visa e Mastercard, que estão mais diretamente ameaçadas pelo sucesso do sistema de pagamentos brasileiro.
Além disso, a ameaça de tarifas adicionais sobre os países do Brics, incluindo o Brasil, pode ser uma forma de Trump tentar estabelecer um controle sobre as dinâmicas comerciais globais. A proposta de um sistema de pagamentos que não dependa do dólar, utilizando o Pix como base, poderia desestabilizar a hegemonia financeira dos Estados Unidos.
O futuro do Pix e das big techs
O futuro do Pix e das big techs no Brasil é incerto. Embora o sistema tenha se mostrado eficaz e popular, a pressão política e econômica das big techs pode atrasar inovações futuras, como a possibilidade de um Pix internacional. Jorge Ferreira dos Santos Filho, professor da ESPM, acredita que a pressão dos EUA pode dificultar a expansão do Pix para o mercado internacional, onde já existem sistemas consolidados, como o SWIFT.
Por outro lado, a eficiência do Pix pode forçar as big techs a se adaptarem ao mercado brasileiro, oferecendo soluções que atendam às necessidades locais. Isso pode levar a uma maior concorrência e inovação no setor de pagamentos, beneficiando os consumidores.
Conclusão
O Pix representa uma inovação significativa no mercado financeiro brasileiro, desafiando as big techs e suas soluções de pagamento. A investigação do governo dos EUA sobre o sistema é um reflexo da competição tecnológica em um mundo cada vez mais conectado. Embora o futuro do Pix e das big techs no Brasil seja incerto, uma coisa é clara: a inovação local pode ter um impacto profundo no cenário financeiro global.
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