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Protecionismo: Efeitos da Nova Ofensiva Tarifária dos EUA

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Protecionismo: Efeitos da Nova Ofensiva Tarifária dos EUA

Nos últimos anos, o protecionismo tem se tornado um tema central nas discussões econômicas globais. Com a recente reeleição de Donald Trump, os Estados Unidos estão novamente sob uma ofensiva tarifária que promete impactar não apenas a economia americana, mas também o comércio internacional como um todo. Neste artigo, vamos explorar os efeitos dessa nova abordagem protecionista e como ela pode moldar o futuro das relações comerciais entre os países.

O Retorno do Protecionismo Radical

Donald Trump voltou à presidência dos Estados Unidos com uma agenda econômica agressiva. Ele acredita que a globalização causou “desequilíbrios históricos” e, por isso, decidiu implementar um pacote de tarifas que pode redesenhar os fluxos do comércio global. Essa estratégia não é nova, mas sua intensidade e abrangência surpreenderam até mesmo aliados tradicionais dos EUA.

Entre as principais medidas anunciadas, destacam-se:

  • Tarifas extras de 25% sobre uma ampla gama de produtos, a partir de 1º de agosto;
  • Aumento para 50% nas tarifas sobre commodities como cobre, aço e alumínio;
  • Tributação de até 200% sobre medicamentos importados que competem com a indústria farmacêutica local;
  • Condicionar medidas tarifárias ao arquivamento de processos internos de outros países, como o Brasil.

Impacto Imediato nos Mercados

Apesar da magnitude das ameaças, os mercados financeiros globais não reagiram de forma tão negativa quanto em ocasiões anteriores. Em abril, rumores sobre tarifas provocaram uma queda de quase 20% nas bolsas mundiais. Agora, a reação tem sido mais contida. Isso pode ser explicado por três fatores principais:

  • Trump pode estar blefando, usando as tarifas como uma alavanca para renegociar acordos;
  • O impacto das tarifas anteriores foi limitado e não causou danos profundos às economias envolvidas;
  • Há uma esperança de que, se a economia americana sofrer, Trump possa ser forçado a recuar.

No entanto, essa tranquilidade pode ser enganosa. Os dados mostram que a nova política tarifária já está em curso e seus efeitos começam a se acumular.

Números por Trás da Nova Ofensiva Tarifária

A retórica protecionista de Trump já se traduz em números expressivos. A tarifa média de importação saltou de 2,5% em 2023 para 10% em 2025, com projeção de atingir até 17% com as novas medidas. Além disso, a arrecadação com tarifas ultrapassou US$ 113 bilhões até maio, um aumento de 86% em relação ao mesmo período de 2024.

Enquanto isso, o Tesouro americano já pagou US$ 749 bilhões em juros, refletindo o peso crescente da dívida pública. Trump parece adotar uma lógica direta: usar tarifas como fonte de financiamento para os juros da dívida e contenção dos déficits fiscais, que devem ultrapassar 125% do PIB até 2034. Contudo, essa estratégia ignora as consequências externas e internas desse movimento.

Efeitos Colaterais na Economia Americana

Antes mesmo da implementação total das novas tarifas, os sinais de impacto na economia americana já são visíveis. O consumo está desacelerando e as vendas no varejo estão em queda. A previsão de crescimento do PIB em 2025 é a metade do observado em 2024. Além disso, as empresas americanas estão absorvendo os custos das tarifas para proteger os preços ao consumidor, uma estratégia que não é sustentável a longo prazo.

Os analistas preveem que a inflação pode ultrapassar 3% até o fim do ano, o que pode agravar ainda mais a situação econômica. A armadilha da geoeconomia está se formando, e esperar que Trump recue com base no risco econômico pode ser um erro estratégico.

A Geoeconomia e o Comércio Internacional

A escalada tarifária ainda não provocou uma crise global, mas está corroendo gradualmente a saúde econômica americana e tensionando o sistema internacional. A dívida pública americana está projetada para superar 120% do PIB já em 2032, o que levanta preocupações sobre uma possível crise de confiança no dólar, que é a base das transações comerciais e financeiras mundiais.

Se os mercados não reagirem negativamente, nada impedirá a intensificação das medidas tarifárias. Isso pode desencadear uma espiral de retaliações, onde países atingidos podem contra-atacar com sanções e barreiras próprias, acelerando o conflito entre as maiores economias do mundo.

O Futuro do Protecionismo

O conceito de geoeconomia, resgatado por teóricos como Paul Tucker, mescla conflito político, militar e econômico. A lógica é usar tarifas, regulações e restrições comerciais como armas para consolidar o poder nacional. A política externa de Trump parece seguir essa cartilha ao pé da letra.

O mundo pode estar se preparando para uma nova fase, onde o comércio internacional se torna um instrumento de guerra estratégica entre os países mais poderosos. A atual calmaria dos mercados pode ser apenas o prenúncio de uma tempestade. Em um mundo onde o comércio virou arma e os interesses nacionais prevalecem sobre acordos multilaterais, a pergunta que resta é: quem estará preparado para o próximo choque?

Conclusão

O protecionismo radical de Trump e sua nova ofensiva tarifária têm o potencial de transformar o cenário econômico global. Embora os mercados estejam calmos por enquanto, os efeitos colaterais já são visíveis na economia americana. A escalada tarifária pode levar a uma nova era de conflitos comerciais, onde o comércio se torna uma arma nas mãos das potências. É crucial que os países estejam preparados para enfrentar os desafios que essa nova realidade pode trazer.

Para mais informações sobre o tema, você pode acessar a fonte de referência aqui.

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